Friday, January 30, 2009

A Cidade e as Serras II

" (...) A sua tristeza, esse cinzento burel em que a sua alma andava amortalhada, não provinha da sua individualidade de Jacinto - mas da Vida, do lamentável, do desastroso facto de Viver!"

"Sofrer portanto era inseparável de Viver. Sofrimentos diferentes nos destinos diferentes da Vida. Na turba dos humanos é a angustiada luta pelo pão, pelo tecto, pelo lume; numa casta, agitada por necessidades mais altas, é a amargura das desilusões, o mal da imaginação insatisfeita, o orgulho chocando contra o obstáculo; nele, que tinha os bens todos e desejos nenhuns, era o tédio. Miséria do Corpo, tormento da Vontade, fastio da Inteligência - eis a Vida!"

"E a cada um destes esforços da elegância, do humanitarismo, da sociabilidade, e da inteligência indagadora, voltava para mim, de braços alegres, com um grito vitorioso: «Vês tu, Zé Fernandes? Uma maçada!»"

"Na cidade (como noutou Jacinto), nunca se olham, nem se lembram os astros - por causa dos candeeiros de gás ou dos globos de electricidade que os ofuscam. Por isso (como eu notei) nunca se entra nessa comunhão com o Universo que é a única glória e única consolação da Vida."

"Mas que nos importava que aquele astro além se chamasse Sírio e aquele outro Aldebará? Que lhes importava a eles que um de nós fosse Jacinto, outro Zé? Eles tão imensos, nós tão pequeninos, somos a obra da mesma vontade."

2 comments:

curse of millhaven said...

um desafio à tua espera no meu blog :)

Nia said...

Porreiro pá! :p